17 de junho de 2014

A culpa não é das estrelas, a culpa não é de ninguém

Depois de ter lido o livro no ano passado, aguardado ansiosamente pelo filme e lido as inúmeras críticas, assisti ao filme ontem.
Achei impecável, trataram com humor a realidade da vida. Nada é eterno, nem mesmo nós, nem mesmo a lembrança de nós. Foi bastante fiel ao livro, singelo, alguns diriam clichê, mas achei bem real.
Claro que não posso falar do livro sem me emocionar. Quando li, acelerei a leitura por curiosidade, queria saber logo o final, no entanto, acabei perdendo as emoções. Com o filme foi diferente, as cenas é que eram rápidas demais para eu apreciar cada emoção minha, foram uma atrás da outra, sobrepondo nós na garganta.
Acho que senti essa diferença porque até então, quando li o livro, a morte para mim era sobrenatural demais. Era encontrar Deus num mundo diferente e muito melhor, era um prazer que algumas pessoas, distantes de mim, já tinham. Depois de perder a minha avó e o meu tio em menos de um mês, a morte parece muito mais real, assustadora.
Enfim, ainda estou engolindo as lágrimas.Conversando aqui e ali com as amigas que também leram o livro ou assistiram ao filme. E filosofando sobre a enorme vontade que temos de não deixar a vida passar em vão.
Sei que a personagem Hazel Grace foi inspirada na menina Esther Grace, cuja bibliografia também é um livro chamado "A estrela nunca vai se apagar". E como elas, existem milhares de pessoas que lutam contra essa doença miserável.
Depois disso tudo, só posso pensar que a vida, a morte, a saúde, a doença, são todos mistérios que encararemos com algum propósito uma vez em nossas vidas, só gostaria de estar um pouco mais preparada.






16 de abril de 2014

Carta para a mulher da minha vida


Querida mãe,
eu nem acredito que chegou a hora, como passou rápido. Eu já tenho 22, já sou mulher, mas me sinto a mesma criança que quer colo quando está com medo. Pra ser sincera eu não estou com medo, só estou estupefata com o tempo. 
Talvez eu devesse ter te aproveitado mais. Saído mais com você, dormido mais vezes na sua cama, passado menos tempo cuidado das minhas bobeiras e mais tempo amando você. Te dando todo o carinho que você merece, e simplesmente curtindo sua companhia.
Estamos nos divertindo muito agora, com todos esses preparativos para o meu casamento. Mas é que pensando bem, cada momento desse é um passo para fora de casa que eu dou, e um passo para longe do seu tão caloroso ninho. Vou ter que cuidar da minha casa, construir minha família, lavar as louças, as roupas, arrumar as bagunças, pagar minhas contas. Só de imaginar fico pensando em como é que você dá conta disso tudo. E ainda trabalha fora. E ainda se diverte, está sempre linda, unhas feitas, cabelo impecável. Será que vou ser tão boa quanto você?
De uma coisa eu sei, já sinto sua falta. Não que as coisas entre nós vão totalmente mudar, mas morar todos esses anos com você foi maravilhoso. As vezes lembro dos sermões que você me dava na minha adolescência insuportável, à caminho da escola, dentro do carro. Não guardei exatamente as palavras, mas sei que de alguma forma aquilo foi semente para que eu olhasse as circunstâncias e tivesse a certeza, mesmo que vã, de que não era aquele o caminho. Eu soube dizer não para as amizades más, mesmo na inocência percebi bem o que não devia fazer e quem eu não queria ser. Não usei drogas, não bebi descontroladamente, não me viciei, não fui vulgar. Errei, mas me corrigi, voltei atrás como você bem me ensinou e fui humilde para reconhecer que aquilo não era devido. Tenho orgulho de quem me tornei. Não por ego, mas porque tudo o que sou devo a você, mamãe. 
Ahh, como passou rápido. Sempre quis casar, sempre quis ser princesa, ser o amor da vida dele, ser única. Deus providenciou isso tudo. E eu não tenho dúvidas de que foram também pedidos de suas orações. Eu agradeço à Ele por toda a nossa história, e peço a sabedoria de viver cada instante, para não perder nada.


Te amo, e sempre vou amar, 
Sua princesinha,

Lari


Sopro


A gente, meu caro amigo, só vive uma vez! Fala baixinho pra você mesmo se está feliz, se chegou até aqui fazendo tudo o que queria fazer.
Estudou alemão, tornou-se engenheiro, casou, teve filhos, morou no Japão, correu contra o tempo e até de si para conquistar tudo o que sempre sonhou. Chegou a hora de desacelerar não é? Olhar para o que fez e se orgulhar.
Eu discordo. Não existe momento para pisar no freio, acalmar. O mistério da vida é encontrar o ritmo certo para apreciar a paisagem, a final de contas, não vamos viver para sempre, as coisas não vão seguir nossos planos e nós vamos recomeçar várias vezes. Se você passou atropelando os dias, vivendo um instante para chegar no outro, sem maneira de ser, meu caro, você não viveu.
Quais são suas boas recordações? Que vão lembrar de você? A vida, meu bem, é um sopro. Seja um assobio, faça sua melodia.



18 de outubro de 2013

Um pouquinho de esperança

Dia desses, fiquei em choque com tantas notícias e barbáries acontecendo na minha cidade. Minha Campo Grande, capital com estilo e segurança de interior, teve num bairro distante uma briga entre duas garotas, onde à facadas, uma matou a outra. Pasmem, o vídeo está no Youtube para quem não viu no noticiário, sensacionalista diga-se de passagem.
Era uma briga por motivo torpe, mas pelo vídeo, e também pelos outros noticiários que saíram nos sites de mídia local, o bairro é um lugar esquecido, e pode-se perceber pela falta de asfalto, de fiscalização e segurança. Fiquei muito chocada, porque hoje, com 22 anos e cursando Direito, entendo melhor a realidade e me sinto responsável.
Essa semana, me entristeci de novo com as pessoas ofendendo, inclusive com palavras de baixo calão, uma Defensora Pública que se manifestou a respeito dos direitos humanos do infrator.
Que posso dizer?
Aliás, sinto vontade de fazer algo extraordinário, de mudar o mundo. E fico pensando o que é que de diferente tenho destas pessoas para ser tão privilegiada aos olhos da sociedade. Percebi, pelas entrelinhas da reportagem, pessoas gritando por atenção, por oportunidades. Aí refleti bastante, e para acertar minhas ideias gosto muito de escrever. Então lá vai.
Marginal quer dizer mais do que infrator, delinquente. Remete à margem. Àquele que está à margem da sociedade, ignorado por todos nós. As consequências disso são inúmeras. 
Aprendemos em Teoria Geral do Estado que a origem da sociedade, dentre outras hipóteses, está no núcleo familiar. Pequenas aglomerações de pessoas que obedecem uma hierarquia. Na prática, é onde aprendemos a amar. Somos desafiados a cuidar e querer bem as pessoas que são diferentes de nós, e ainda sim temos que conviver com elas dia após dia, conhecemos seus limites, seus defeitos, e então a amamos. Além das diferenças porque conhecemos seu lado bom. Naquele dia em que seu pai tá estressado, sua irmã está chata, você sabe que aconteceu algo ruim, é só uma fase, aquela pessoa é muito mais que isso.
Uma pessoa com a família desestruturada não aprende desse amor incondicional, logo não aprende a aceitar as diferenças e superá-las. Mais do que isso, sinceramente? A família nos faz sentir únicos, especiais. A falta de amor familiar endurece o coração.
Direto ao ponto, quero dizer que a ausência de amor, leva as pessoas a sentirem-se desprezadas, rejeitadas. Voltamos à margem. Estas pessoas, sem afeto e carinho, sem atenção, são os nossos marginais. Àquilo que ao meu ver inicia-se no berço da sociedade, leva-nos aos assassinos mais cruéis, revoltados, gritando por atenção.
A solução para a criminalidade, para a corrupção e tantos outros problemas enfrentados pelo Brasil está nas oportunidades que não oferecemos. Penso que aquele rejeitado pela família, excluído pela sociedade, merece do Estado e de cada um de nós uma chance. Políticas públicas de incentivo à educação de qualidade e reestruturação dos valores sociais. Assim transformaríamos o caráter do povo brasileiro que por vezes é visto como preguiçoso e aproveitador. A sociedade brasileira clama por alguém que acredite nela. E como brasileira gostaria muito de presenciar e fazer parte desta mudança.
Começo me esforçando por fazer a minha parte. Sofri ao assistir de mãos atadas a marginalidade, e espero, com o coração esperançoso, que não me esqueça desta força de vontade de mudar meu país.





20 de agosto de 2013

E eu disse SIM!


Essa semana que passou foi muito intensa, cheia de surpresas. Mais uma prova de que eu não estou no controle de tudo, não adianta enlouquecer planejando.
Depois de ter enfrentado uma greve na faculdade, estava me preparando para volta as aulas, fazendo hora-extra no estágio,  correndo correndo, um pouco estressada, e descontando aqui e ali.
Claro que eu percebi que estava chata, e ai comecei a conversar mais com Deus. Expliquei tudo para Ele. Minha chatice, minhas agonias, medos, e especialmente minha vontade de ser melhor. Eu não estava gostando muito das reações tão mal educadas que eu estava tendo.
Conversamos um pouco, eu e meu amigo Jesus fomos nos reaproximando, fui entregando tudo. Conversei com minha Mãe Maria também. Sempre que me perco atordoada com as exigências do cotidiano, lembro daquela música, "Maria da minha infância", que tantas vezes me trouxe de volta ao colo da minha Maria. Cantamos juntas, conversamos mais e mais. 
Eu estudei em um colégio Salesiano, lá, na volta as aulas sempre nos falavam que cada um fora escolhido e trazido pela mão, pela própria Mãezinha. Guardei isso no coração. E nessa semana, Jesus e Maria me lembraram disso. Do quanto sou especial, desde sempre escolhida e consagrada a uma vida e caminhada acompanhada por Eles. 
Foram me mostrando, com lembranças, cada cuidado e livramento escrito pelo dedo de Deus. E em cada recordação uma declaração de amor, dEle para comigo.
Eu, me apaixonando mais. Relembrando do quanto devo ser grata por essa história linda que Ele planeja para mim, em cada detalhe que já realizou. Me esforçando para não esquecer de deixar-me guiar por onde Deus quiser, e perguntá-lo onde devo ir, questionar ao Espirito Santo, o que temos para hoje?
Jesus caminhou do meu lado essa semana, segurou minha mão, e me recordou como posso ser confiante e cheia de fé se manter a calma e deixar de insistir em controlar tudo. Fui rezando para que Ele me alertasse sempre que tivesse sendo egoísta e prepotente, achando que era Deus, senhora da minha vida.
Terminei a minha semana celebrando a Assunção de Maria aos Céus. Dogma da Igreja Católica Apostólica Romana, na qual eu creio. E neste dia, a Mãezinha resolveu mais uma vez me presentear.
Trouxe-me pela mão, aquele que Deus escolheu pra mim, que lá na nossa infância nos levou também pela mão para aquele colégio salesiano no qual aprendemos a amar a Deus e a Igreja.
 E das mãos de Jesus e Maria meu amor pediu a minha mão. E eu não poderia dizer outra coisa, senão, SIM!





1 de agosto de 2013

Desde sempre, vc

      Hoje sai com amigas de infância, da época da escola, de quando a gente é adolescente e um pouco rainha do drama. Vê-las, além de divertido me fez perceber o quanto mudamos com o tempo. Eu mudei, elas também. Mudanças não são ruins, são necessárias. Ninguém permanece sempre o mesmo. O tempo passa, as nossas experiências acrescentam, você pode manter sua essência, mas a verdade é que vai desabrochando. 
      A vida é mesmo um emaranhado de caminhos, e os nossos gostos, sonhos, vontades, vão nos levando estrada a fora. Alguns acompanham nossos passos, outros ficam. Os valores e apreços são realmente guias. E onde chegamos é só consequência de escolhas. Certas ou erradas, fomos nós que fizemos. 
     No final do dia, percebo que gosto de todas que tomei. Me trouxeram até aqui e estou muito feliz onde estou. Vejo que segui mesmo meus valores. A gente se transforma naquilo que, lá no fundo, já é.